Se o ERP está lento, o problema pode estar bem abaixo da tela do usuário.

Poucos sintomas são tão comuns (e tão negligenciados) quanto a lentidão em ambientes TOTVS. O usuário final reclama da tela travando, o gestor aperta o time de TI, e a área técnica tenta, sem sucesso, resolver com mais banda, reinstalar o client ou reiniciar o servidor. Mas, muitas vezes, o problema está em um lugar que quase ninguém olha: o dimensionamento do ambiente.

O que é o sizing de ambiente?
É o processo técnico de calcular, com precisão, a capacidade mínima e ideal da sua infraestrutura para suportar o ERP de forma estável, performática e escalável.

E é aqui que muitos projetos falham — não por falta de software, mas por infraestrutura subestimada.

1. O que deve ser considerado no sizing de ambiente TOTVS

Um bom sizing vai muito além da escolha de um servidor “forte”. Ele exige análise de diversas variáveis técnicas e operacionais, como:

  • Volume de usuários simultâneos
  • Distribuição geográfica da operação (filiais acessando remotamente)
  • Módulos utilizados e sua complexidade (Financeiro? Faturamento? Fiscal?)
  • Quantidade de documentos processados diariamente
  • Volume histórico armazenado no banco de dados
  • Integrações simultâneas com outras plataformas (CRM, BI, e-commerce)

A soma desses fatores define o que será necessário em termos de:

  • CPU e núcleos reais (não apenas “núcleos virtuais”)
  • Quantidade de memória RAM
  • Performance de disco (IOPS — Input/Output Operations Per Second)
  • Arquitetura de rede
  • Topologia de camadas (aplicação, banco, terminal, etc.)

2. TOTVS Protheus e RM: características distintas, sizing diferente

Apesar de fazerem parte do mesmo ecossistema, o Protheus e o RM têm comportamentos muito diferentes — e exigências distintas de ambiente:

• Protheus

  • Utiliza o AppServer como servidor de aplicação
  • Alto consumo de CPU em processos pesados (ex: Faturamento, MRP)
  • Necessita de tuning em arquivos de configuração (.ini)
  • Altamente sensível à performance de disco para arquivos temporários e logs

• RM

  • Baseado em arquitetura .NET
  • Demanda maior atenção à versão do IIS e .NET Framework
  • Pode exigir múltiplas instâncias do AppServerRM em ambientes grandes
  • Requer atenção redobrada à comunicação com banco de dados SQL Server

3. Erros mais comuns no dimensionamento

  • Usar o mesmo ambiente de homologação como produção
  • Ignorar IOPS e latência de disco, priorizando apenas espaço em GB
  • Acreditar que “rodou bem para 20 usuários, vai rodar para 50”
  • Misturar aplicação e banco no mesmo servidor, sem controle de consumo

Esses erros geram gargalos silenciosos que só aparecem quando a operação já está rodando — e aí, o impacto é sentido na produtividade, nos prazos e até na reputação da empresa.

4. Como fazer um sizing correto

Um dimensionamento técnico bem feito considera:

  • Separação clara de camadas:

    • Aplicação TOTVS
    • Banco de Dados
    • Terminal Server (em caso de RDP)

  • Projeção de crescimento: pense nos próximos 2–3 anos, não apenas no hoje
  • Testes de stress controlados: simule acessos simultâneos e cargas reais
  • Monitoramento proativo: acompanhe consumo de CPU, memória, I/O e gargalos em tempo real

5. Impactos reais de um sizing mal feito

  • Lentidão generalizada
  • Quedas no AppServer ou sessões desconectadas
  • Processos fiscais não gerando arquivos no tempo previsto
  • Painéis de BI com refresh travado
  • Backups que ultrapassam o horário de janela
  • Equipe perdendo tempo com retrabalho e abertura de chamados

Em empresas com operação contínua, 15 minutos de parada equivalem a uma semana de estresse. E o mais preocupante: sem um sizing bem feito, a TI acaba combatendo sintomas — não a causa.

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